Sábado, 4 de Abril de 2020
 

Campanha da Fraternidade: “Viu, sentiu compaixão e cuidou”

(Foto: Voz imprensa)

O fundamento de um povo está na fé, na espiritualidade, na valorização do ser sobre o ter. Nós brasileiros somos de maioria absoluta cristã. Os princípios dessa espiritualidade construíram a nação. Cabem aí muitas críticas, mas o pouco que nos resta de humanidade, aprendemos com o cristianismo.

Sem essa cultura que em suma apela em cada um o comportamento de irmãos uns dos outros, o respeito, a tolerância, o perdão e a iniciativa das ações que vão além da pessoalidade, não seríamos uma nação e não haveria mais ser humano na terra. Pouca gente saberia viver hoje sem acreditar no poder divino.

Todo ano a Igreja Católica, a maior mobilizadora da fé cristã no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade. Ela sempre começa na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de aleluia, com a comemoração da ressurreição de Cristo.

Esse ano o tema se volta para o compromisso que cada um tem com o outro. O trecho do Evangelho que inspira essa campanha é a parábola do Bom Samaritano ( Lc 10, 25-37 ), quando Jesus diz que para se ganhar a vida eterna é preciso cuidar do próximo. E explica que o “próximo” é quem e, qualquer um ser humano que estiver cruzando sua vida. É humano e está por perto? Esse é o irmão e se estiver precisando de ajuda, é com você o assunto.

Então Jesus conta que um homem foi assaltado e espancado. Ficou caído à beira do caminho. Passaram pessoas importantes por ele, mas ninguém fez nada. Até que um Samaritano passou, viu, teve compaixão e cuidou dele. Fez mais que isso. Aliviou as dores da ferida com medicamentos, colocou-o em seu animal de transporte e levou para uma pousada. Pagou a diária e quando estava melhor, foi embora.

Mas aviou o dono do hotel que voltaria e acertaria com ele outras despesas que tivesse. Há um detalhe de que o assaltado era de nacionalidade diferente do samaritano e que se comportava inclusive com certa superioridade em relação ao povo da Samaria.

O que se revela nessa parábola de tão importante para os dias de hoje? O próximo pode ser nosso vizinho, alguém da família ou qualquer outro que está precisando de ajuda bem próximo fisicamente da gente.

Os psicólogos esclarecem que o ser humano não ajuda quem está próximo demais, porque aquilo que conhece da intimidade dessa pessoa o faz julgar e selecionar o tipo de pessoa que merece essa ajuda. A parábola não mostra o samaritano interrogando o assaltado, impondo condições para receber sua ajuda.

Isso explica porque as pessoas preferem ajudar quem a quem não está próximo. É porque não tem elementos para julgar antes de agir em defesa, como “é ex-detento”, “vai usar o dinheiro para beber cachaça”, “largou da mulher”, “não gosta de trabalhar”, “está desse jeito porque procurou”, “merece o sofrimento”.

O cartaz da campanha homenageia a Santa Dulce dos Pobres. Ela cuidou dos pobres em Salvador na Bahia. Começou seu trabalho usando o pátio do Pelourinho, mas logo irritou todo mundo porque estava afugentando os turistas. A irmã dela ofereceu uma área do galinheiro de casa e ali começou a construção de uma unidade de atendimento à saúde, hoje transformada num dos maiores hospitais de filantropia do país.

Se essa prática de ver, sentir compaixão e agir tiver evolução, vamos acabar com a miséria, a fome e todas as forças da morte que parecem tomar conta para vencer a vida no mundo. De que lado você está?